sábado, 19 de março de 2011

Crítica musical - Concerto de Tchaikovsky para Violino e Orquestra


    

     Parei hoje para escutar um CD, e o escolhido foi uma gravação da violinista e pianista alemã Julia Fischer com a Orquestra Nacional Russa, sob regência de Yakov Kreizberg, selo PentaTone Classics.
     Trata-se do Concerto para Violino e Orquestra de Tchaikovsky. Não há o que se falar desse concerto. Desde criança que eu o escuto ardentemente, e durante vários anos, já adquiri várias versões dessa grande e apaixonada obra, muitas delas de excelente qualidade.
   Pois bem, falemos do concerto. Esse concerto tem um tema inesquecível em seu primeiro movimento, que é desenvolvido primeiramente pelo violino depois de uma breve introdução do mesmo. A maneira como a orquestra acompanha esse tema, com pequenos dedilhados e acordes conjuntos do naipe de cordas dá uma leveza muito bonita. Esse mesmo tema é repetido, e a participação da orquestra aumenta aos poucos: durante esse primeiro movimento, há uma hora em que ela repete o movimento, agora de maneira mais brusca. O tema vai sendo desenvolvolvido. Tem alguns acordes de estrema beleza nas notas agudas do violino, cuja emoção só é possível graças à intérprete - escutei a gravação de Hilary Hahn, e não senti emoção alguma, tinha alguma coisa fria nela, que não interagia bem com a orquestra; Hilary se dá melhor com música contemporânea, o concerto de Schoenberg está fantástico, mas o romantismo não é a sua área -, e Julia Fischer tem um domínio emocional e técnico sensacional. O desenvolvimento das melodias vai ficando claramente paganinianas (Nicollo Paganini foi um virtuose do violino, talvez o maior, e escreveu os 24 Caprichos para violino solo, as obras mais difíceis do repertório violinístico para qualquer violinista, e Julia, em outra gravação, dá um show nesses Caprichos), com aqueles arpégios tão característicos, que lembram o desenvolvimento do concerto para violino no.1 de Paganini. Apesar de não ser muito original, esse desenvolvimento introduz bem a parte final do movimento, que é fechado da maneira que Tchaikivsky gosta: a orquestra muito ativa, rápida, desenvovendo pequenas melodias em vários tons diferentes, em repetições breves que dão enfase e tensão ao trecho procedente. E irrompe numa quebra de melodia onde o violino ataca novamente com uma grande energia. E a orquestra surge novamente, criando uma espécie de fogos de artifício com seus naipes.
     O segundo movimento é bem curto e lento, e não me atrai mais como antigamente. Mas a orquestra e a virtuose dão seu melhor. Começa com temas leves, orquestração predominante de instrumentos de sopro, como flauta, oboé e clarinete, muito parecido com a abertura de alguns trechos de O Lago dos Cisnes, em algumas danças e principalmente no Romeu e Julieta, compostas pelo próprio Tchaikovsky. O desenvolvimento se dá como uma canção suave e delicada (não é à toa que se chama Canzonetta), bonita sim, mas que não sei porque o motivo dela não me animar muito. Apenas acho muito monótono. Talvez esteja saturado da orquestração de sopros. Quando o naipe de cordas dá suas aparições sutis, já me entusiasmo mais. Parece que ele quer nos introduzir a um mundo místico e cheio de magia (e funciona bem em O Lago dos Cisnes, mas aqui tudo me parece sem propósito).
     O terceiro movimento é animado e tem trechos que dariam muito bem no filme Fantasia de Walt Disney. Tem uma marcha lenta mas não menos divertida antes do desenvolvimento da melodia secundária. O tema da marcha vai ficando mais enégico e vira uma dança, depois o naipe de sopros o desenvolve a partir dos seis minutos. Essas marchas também são bem características de Tchaikovsky. E a obra vai se fechando com o festejar da orquestra e do violino.
     Pelo que vocês viram, não acho Tchai muito original, mas ainda assim, esse primeiro movimento é arrebatador, e Julia Fischer me emociona a cada gravação que eu a escuto (estou apaixonado por ela).
     Tchaikovsky é um romantico tardio, quando o Modernismo já estava dando as caras, onde estéticas novas, harmonias mais exóticas estavam dando as caras, Tchai continuava com os acordes consonantes tradicionais, o tonalismo. Mas considero um erro grave subestimá-lo. Ele era um grande melodista, e isso não é algo para se ignorar.

     Se quiserem adquirir o CD, podem comprá-lo na Amazon (nunca comprem música erudita pela Livraria Cultura!!!!), ou então baixá-lo aqui: http://orchestralworks.blogspot.com/2009/10/julia-fischer-tchaikovsky-violin.html 

     É isso, espero que gostem.

3 comentários:

  1. Caramba, foi bom tu falar em Tchaikovsky , porque eu acho que vou precisar da tua ajuda pra uma produção minha. Vê, eu baixei "O lago dos Cisnes" para me dar um auxílio na minha resenha de "Cisne Negro", mas quando eu ouço o concerto, eu não consigo ter uma absorção profunda a ponto de satisfazer as minhas pretensões _ sem contar que eu sou uma tremenda leiga em música erudita. Então eu queria uma análise tua sobre a obra, pelo menos pra me dar um norte na compreensão de um campo que é completamente oposto ao meu que é a música clássica; e eu sinto que é no entendimento a fundo deste concerto que está uma boa parte da minha análise crítica do filme, na urgência passada por este.
    Tu poderia fazer isso por mim? Se sim, eu agradeceria muito :) Um beijo

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  2. Ah, antes que eu esqueça, reformulei meu blog. Agora ele se chama "Imagem em Insight" (pelo menos eu me livro da ambiguidade do título antigo...), e tá com postagem nova (aquela resenha sobre "A Rede Social", que finalmente saiu do armário...rsrsrs). Bom, chega de propagandas; se tu quiser dá uma conferida e divulga, please ;)
    www.imagememinsight.blogspot.com

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  3. Vou tentar fazer dois posts. Um escutando somente a música, e outro junto com a coreografia do Balé, quando eu puder assistir. Agora, falar de música de Balé sem ver a encenação por trás da obra é complicado. Vou tentar, mas acho que ficará uma porcaria total!!!!

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