O que segue abaixo é uma pequena obra literária. Será dividida em quantas partes forem necessárias. Escreverei aos poucos, bem à maneiras dos folhetins do século XIX. Sua estrutura, apesar de poder parecer estranha, de certa maneira é um exercício de montagem cinematográfica, onde se tenta ignorar repetições e dinamizar as ações tanto em âmbito espacial quanto temporal. Deixando as explicações de lado, vamos ao texto.
QUANDO CHEGAMOS EM CASA
Capítulo 1
Quando a sorte escapa pelas mãos
A casa onde eu morei era uma tapera de paredes mal caiadas em que não era necessária grande atenção para perceber as imperfeições do acabamento de um pedreiro que se chamava meu pai,
Buracos irregulares nos tijolos, aproveitados de metralhas de construções nos arredores, as junções mal cimentadas,
— E não tem dinheiro pra comprar seus próprios tijolos, comentavam nossos vizinhos, ao invés de juntar, vai comprar cachaça no boteco mais próximo,
— E não tem dinheiro para comprar o próprio cimento, continuavam,
E lá estava nosso pai, num boteco na cidade próxima,
O caminho para a cidade era um caminho incerto, cheio de pedras, seco como um inferno,
— O tempo e o sacrifício que ele poderia dedicar cuidando dos filhos ele gasta vindo pra cá, os vizinhos se tornavam cada vez mais eloqüentes em suas análises sobre o meu pai,
Duas horas numa carroça velha, e a roda ainda quebrou um dia, mas bêbado persistente que era, foi o resto do caminho a pé mesmo, que lá tinha água à sua espera,
E entortando o décimo primeiro copo, caiu no chão, pois água é o que faltava naquelas redondezas, mas seu derivado alcoólico com dois contos se conseguia fácil,
E eu entortava as ultimas gotas que havia num velho recipiente de vidro que guardávamos com todo o cuidado, pois o dinheiro que perderíamos na reposição se aquele quebrasse,
Meu pai, ao chegar em casa, se cortou com cacos de vidro espatifados no chão,
As mãos do meu irmão eram muito pequenas para segurar com segurança aquele velho recipiente,
— Soube que o menino seu filho levou uma surra das boas ontem, por causa de um copo quebrado, faziam chacota nossos vizinhos,
Nosso pai entortava outro copo durante a chacota, sua vontade de beber era maior que a dor que ele sentia na sola dos pés cortados,
Peguei uma camisa velha minha, embora fosse uma de minhas únicas, cortei com um dos cacos quebrados que não foram melados de sangue uns pedaços de tecido,
— Deixa como está, disse-me meu pai recusando a estirar sua perna, não precisa remendar, vai sarar sozinho, como sempre aconteceu até hoje,
— Perdi uma camisa à toa, reclamei a meu Deus durante minhas orações noturnas, na esperança de que ele pudesse me comprar outra,
Cinco camisas, duas calças e um par de sapatos, todos com rasgos, eis minha coleção de vestimentas despojadas e modernas,
— Lá vai o menino com seus trapos, riu alguém na cidade ao me ver,
— Sabe onde está meu pai, perguntei a esse alguém cujo nome insignificante,
Entrei com muita raiva nesse dia no estabelecimento denominado bar, parti pra cima de meu pai lhe desferindo um soco,
— Que coisa feia, Geraldo, apanhando do próprio filho, riu um dos bebuns ao lado, enquanto os outros em coro gritavam como os macacos peludos que eram,
— Vai revidar não, Geraldo, punham em sua cabeça frágil idéias toscas,
Meu pai olhou nos meus olhos, percebia nos seus sinais de tristeza, sentimentos de humilhação, agonia, o que mais existisse de sentimentos que causam comoção em quem quer que seja,
Suas mãos foram muito rápidas em seu golpe, ele guardava o pedaço de vidro que lhe havia cortado os pés há duas semanas de maneira providencial em sua mão direita,
Não pude entrever, no entanto, a raiva discreta nem o impulso da vingança contidos em seus olhos, como eu sou cego,
A minha sorte estava lançada, eu naquele momento, deitado no chão com muita dor sentido o sangue escorrendo em minha barriga, já não poderia saber o que seria de mim,
(Fim do primeiro capítulo)
Olha, tais saindo um belo de um literato, hein?!
ResponderExcluirQuando o livro for lançado, vou ser a primeira da fila pra ganhar autógrafo...kkkkkkkkkkkkk
Mas é sério, Gabriel, eu já te disse pra tu investir em potencial nesse lado artístico, divulgando teus textos em outros veículos, até pra que este tenha maior projeção...mas, como vc não quer me ouvir e só quer ficar por aqui msm, desfrute ao máximo dessa sua opção, eu vou continuar lendo os posts de todo jeito...haha :D
Pelo menos teu blog tá aumentando a quantidade de seguidores (o que é uma coisa boa); já o meu...continua às moscas, mesmo com postagem nova ¬¬'